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Sinais,
causas e tratamentos do comportamento depressivo
Recente pesquisa internacional apontou que pessoas
com transtorno depressivo esperam, em média,
um ano para procurar o especialista e só
obtêm o diagnóstico adequado após
cinco consultas.
Nem só tristeza e desânimo caracterizam
a doença. Esse distúrbio, que
afeta 36 milhões de brasileiros, também
se manifesta por dores difusas, cefaléia
e alterações no apetite; e muita
gente nem se dá conta.
Os
principais sinais de depressão são:
Inquietação.
Baixa de energia física.
Sentimentos de culpa injusti.cáveis.
Pensamentos pessimistas.
Irritabilidade ou impaciência.
Lombalgia.
Desesperança.
Dores de cabeça.
Dores pelo corpo.
Pena de si mesmo.
Crises incessantes de choro sem motivo.
Di.culdade de tomar decisões e
de se concentrar.
Achar que não vale a pena viver
O caminho que separa os sintomas depressivos
da constatação considerada estado
depressivo numa pessoa, está diretamente
ligado à duração do tempo
e à intensidade com que se apresentam
determinados sinais de comportamento e de funcionalidade
do corpo - a.rma o Psicoterapeuta Cyzo Ferrera.
A pessoa pode apresentar sinais de um comportamento
depressivo e, não ser necessariamente,
uma pessoa depressiva - conclui.
Da genética ao coração
partido
As causas da depressão são múltiplas
e, na maioria das vezes, estão interligadas.
Daí o fato de, às vezes, ser complicado
fazer um diagnóstico preciso. Os principais
fatores que podem levar à depressão
são:
Hereditariedade: Existem genes que não
passam a doença, mas uma predisposição
a ela. Isso é semelhante ao que acontece
com o diabetes ou a hipertensão. Se a
depressão já atingiu um parente
próximo, como pais, irmãos, primos
ou avós, é bom .car atento às
mudanças de seu estado de ânimo.
Neuroquímicos: Na depressão
existe uma diminuição de serotinina
e noradrenalina, neurotransmissores produzidos
pelo cérebro que, entre outras coisas,
controlam o humor. Vale lembrar que no período
de tensão pré-menstrual (TPM)
as mulheres deprimidas apresentam sintomas mais
acentuados, devido à baixa natural de
serotinina nesses dias.
Psicológicos e emocionais: A doença
tem muito a ver com as características
da personalidade de cada indivíduo. Dessa
maneira, uma pessoa com di.culdade em expressar
seus sentimentos, por exemplo, pode estar mais
sujeita a crises depressivas do que os indivíduos
mais expansivos.
Circunstanciais ou ambientais: A morte
de pessoas queridas, a perda do emprego e problemas
.nanceiros são experiências que
levam qualquer um a passar por períodos
de tristeza. Essa depressão reativa
é normal e até esperada,
avisa Guido Boabaid May. Porém, quem
apresenta uma predisposição para
uma baixa na produção de neurotransmissores
pode evoluir para um quadro mais sério.
Da mesma maneira que quem tem tendência
à hipertensão pode desenvolver
a doença se não controlar o sal
na alimentação.
Outras causas: Doenças como diabetes
e hipotirioidismo ou o uso de drogas (LSD, cocaína,
ecstasy e as anfetaminas das formulas para emagrecimento)
também funcionam como um estopim para
detonar depressões severas.
Alternativas
Os tratamentos alternativos tornam-se mais comuns
a cada dia e começam a ganhar espaço
entre a classe médica. Destaque para:
Acupuntura: Muitas vezes o deprimido
reclama mais da falta de energia do que da tristeza.
A queixa é conhecida por orientais há
4.000 anos. Na visão da medicina
chinesa, a depressão é uma baixa
geral de energia que circula pelo organismo,
diz Arnaldo Marques Filho (SP), clínico
geral, acupunturista do Ambulatório de
Acupuntura do Hospital São Camilo e professor
e acupuntura da Associação Médica
Brasileira de Acupuntura (AMBA). Para a tradicional
medicina chinesa, toda a energia que circula
no corpo é produzida em cinco órgãos,
e cada um corresponde a um estado emocional.
O coração está ligado à
ansiedade; o fígado, à raiva;
os rins, à insegurança e ao medo;
os pulmões, à tristeza; e o conjunto
boca e pâncreas, às preocupações.
Quando ocorre uma falta de energia em um deles,
há o comportamento do organismo em geral,
que deixa de trabalhar em harmonia. No tratamento,
o acupunturista dispõe agulhas em pontos
estratégicos correspondentes aos órgãos
afetados, com o objetivo de reequilibrar o quadro.
Dieta energética: A alimentação
também merece atenção.
Segundo o médico Arnaldo Marques Filho,
a medicina chinesa propõe uma dieta balanceada,
com o equilíbrio entre alimentos Yin
e Yang palavras de origem chinesa que
determinam as duas forças opostas da
energia que regem tudo o que há no Universo.
Dessa maneira, Yin é o lado .exível,
frio, a força negativa que vem da terra
e se expande facilmente. No oposto, o Yang é
o lado forte, quente, o positivo que se concentra
e vem do espaço. De uma maneira geral,
as pessoas depressivas, introspectivas e mais
lentas deveriam diminuir a quantidade de alimentos
Yin, por serem frios e pálidos. Os alimentos
Yin são raízesalimentos Yin, por
serem frios e pálidos. Os alimentos Yin
são raízes como a mandioca, a
mandioquinha, raiz de lótus e alguns
peixes. Para corrigir o
desequilíbrio, o indicado é uma
nutrição mais Yang, à base
de folhas e temperos, como pimenta, para avivar
os sentimentos.
Massagens: Shiatsu, do-in ou mesmo a
massagem clássica; todas são bené.cas
no tratamento da depressão. Por
meio do toque, o paciente entra em contato com
o próprio corpo e isso o faz aprender
a lidar melhor com suas emoções,
completa Arnaldo.
Ioga: Devido aos desequilíbrios
químicos no cérebro, quem sofre
de depressão também pode recorrer
à ioga como tratamento auxiliar. A
prática regular de alguns exercícios
estimula a produção de substâncias
neuroquímicas, que ajudam o paciente
a sair do quadro depressivo. Dessa maneira,
ele encontra novas motivações
e orientações para que a vida
seja gostosa de ser vivida, diz a professora
de ioga Nicole Witek.
Tratamentos
Muitos quadros devem ser tratados com medicamentos
especí.cos. Apesar de os efeitos colaterais
que podem apresentar, os antidepressivos
apresentam-se cada vez mais e.cazes. Os principais
são:
Tricíclismo: são os mais
antigos, usados desde a década de 50
até, aproximadamente, o .nal dos anos
80. Em geral, apresentam fortes efeitos colaterais,
como perda da libido e aumento de peso, além
de, às vezes, interagirem com outros
medicamentos. Atualmente, são receitados
para os pacientes que não respondem bem
às drogas mais modernas. Seus princípios
ativos são imipramina, cloripramina,
e amitriptilina.
De ação especí.ca:
atuam na recomposição da sorotonina
no cérebro. A partir dos anos 80, passaram
a ser receitados em larga escala aos pacientes
deprimidos. Apresentam efeitos colaterais, porém,
bem mais leves que os tricíclicos, e
têm pouca interação medicamentosa.
São representantes dessa classe a .uoxetina,
a .uvoxamina, a paroxetina, a sertralina e o
citalapram. Os dois últimos são
os mais indicados no tratamento de depressão
em pacientes diabéticos, devido ao baixo
risco de interação medicamentosa.
De dupla ação: agem sobre
a sorotonina e a noradrenalina, proporcionando
melhora nos sintomas emocionais (humor, ansiedade,
tristeza) e físicos (fadiga, dores no
corpo, sono). Podem ser tomados em dose
única diária e têm poucos
efeitos colaterais, avisa a médica
Giuliana Cividanes. Os princípios ativos
dessa categoria são a venlafaxina, que
pode aumentar a pressão arterial, por
isso não recomendada a pacientes hipertensos
e com diabetes; a mirtazapina, que causa muito
ganho de peso; e a duloxetina, lançada
recentemente no Brasil.
O papel da psicoterapia
Apenas a administração de antidepressivos
nem sempre alcança o resultado esperado.
Hoje, o mais preconizado é prescrever
o medicamento e, junto, indicar a psicoterapia.
Assim, enquanto o remédio atua na parte
neuroquímica do cérebro, a terapia
auxilia na compreensão das emoções,
avalia o médico Guido May.A terapia mais
indicada nos casos de depressão é
a cognitivo-comportamental. Com a ajuda do pro.ssional,
o paciente aprende a identi.car as visões
distorcidas que tem da realidade e a modi.car
suas crenças a respeito de si mesmo.
Com isso, consegue lidar com seus sentimentos
e reage melhor frente aos problemas.
Asas ao bem-estar
Um caminho para ajudar as pessoas com sinais
de depressão é o projeto Asas
Avaliação e Seguimento
de Adolescentes e Adultos Jovens na cidade de
São Paulo. Ligado ao Instituto de Psiquiatria
do Hospital das Clínicas, em São
Paulo, o objetivo do grupo, coordenado pelo
médico Mário Lauzã Neto,
é diagnosticar precocemente possíveis
casos de transtornos psíquicos, possibilitando,
além de orientação e apoio,
melhores condições de tratamento.
O Asas atende pessoas de ambos os sexos, de
14 a 30 anos.
Asas - (11) 3083-2655 asas.sp@terra.com.br
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